TUMBLING 

 

Entrevista com Nuno Fernandes

 

Há quanto tempo estás ligado a esta modalidade?

Nuno Fernandes  Comecei a fazer Tumbling com 12 anos de idade,  portanto há 10 anos que estou ligado à modalidade.

Existem pessoas que te inspiram ou que te inspiraram, na tua carreira desportiva?

N. F.    Acho que nunca tive ninguém em especial, mas quando iniciei a modalidade, admirava os séniores da altura que pertenciam à selecção, como o Sérgio Nascimento, Luís Nunes, Nuno Pereira, entre outros...

Qual foi a tua competição preferida até hoje?

N. F.     O Campeonato Europeu de Juniores em 1998, em Portugal, Vila do Conde. Fui vice-campeão europeu de juniores.   

Qual é a tua capacidade de aguentar a pressão das provas?

N. F.     Tem vindo a melhorar com o passar dos anos. No início da minha carreira competitiva, as coisas não corriam nada bem e ficava muito nervoso. Não tinha espírito de ir a provas e as 2 semanas antes eram muito complicadas. Actualmente consigo direccionar o "nervosismo" dentro de mim, para algo que me vai motivar e encher de energia para a hora da prova. 

Quando competes em provas nacionais esperas ganhar sempre?

N. F.     Ganhar é sempre o objectivo. Principalmente, quero fazer a minha prova e se tudo correr bem, penso ganhar, isto quando tenho séries para isso. Penso que o principal é fazer aquilo a que me propus, o resultado vê-se no fim.    

Sendo tu um atleta que conhece a realidade de outros países, o que pensas do Tumbling praticado em Portugal?

N. F.    Quando estou em provas internacionais, vejo que cada país tem uma maneira característica de saltar, praticamente cada país tem a sua escola de treino, as mesmas linhas mestras, o que se reflecte na maneira de saltar dos atletas. Em Portugal penso que essa escola não existe, os técnicos deveriam falar mais entre eles e conseguir criar uma só linha de trabalho que seja característica. Cada técnico vê o Tumbling à sua maneira, e querem ser sempre todos diferentes, e assim penso que quem fica a perder é a modalidade.

O que achas do modelo de eliminação Homem a Homem em finais de competições internacionais, como a Taça do Mundo?

N. F.    Acho que em termos de espectáculo é mais interessante, há mais séries e julgo que é do agrado do público. Em termos do atleta chega a ser um pouco injusto, pois o factor surpresa é aumentado. Temos que fazer mais séries, sobe o cansaço, mais desgaste físico e psicológico, entra o factor erro, que pode ser prejudicial para o atleta que à priori é mais forte em relação ao adversário. Em provas como a Taça do Mundo acho que faz sentido.

A modalidade a nível internacional está no bom caminho?

N. F.    Penso que sim, acho que existe maior homogeneidade entre os tumblers, por exemplo, a dificuldade praticada entre os finalistas dos campeonatos do mundo, europa, etc. é mais próxima do que ocorria há uns anos atrás. Existe no entanto um factor que considero importante, as pistas que são apresentadas em prova. Existe uma forte concorrência entre empresas para ver qual apresenta a melhor pista, e em todos os campeonatos são apresentadas pistas com características diferentes, o que é sempre complicado para os atletas, pois invés de nos preocuparmos apenas com o que temos a fazer, isto é, as séries, temos de perder tempo a adaptarmo-nos a uma pista que nos é desconhecida, o que dificulta bastante o nosso trabalho, exemplo disso, foi o Campeonato de Europa em Eindoven, em 2000, onde houve muitos atletas a falhar e alguns a lesionarem-se. Deveria ser como nos Trampolins, têm uma marca, a Eurotramp e os atletas já sabem o que vão encontrar. Assim para os tumblers cada prova é uma adaptação.  

O Tumbling podia ser modalidade olímpica. Achas que é uma falha a nível internacional no mundo da ginástica?

N. F.    Acho que é. Existem rumores, sendo uma das razões que leva o Tumbling a estar de fora desse grande evento, dever-se ao facto, de existir muitas falhas e algumas quedas aparatosas com lesão, o que tem assustado alguns altos responsáveis, levando estes a equipar o Tumbling ao Duplo-mini. Acho que tem vindo a ser um parente pobre dos Trampolins. O número de participantes em Tumbling também não é favorável, apresentando por vezes cerca de 1/3 dos participantes em Trampolim. Penso que se o Tumbling fosse mais promovido as provas seriam mais espectaculares, e sendo o Tumbling considerado modalidade olímpica seria uma rampa de lançamento para a modalidade, apostando os próprios países, mais e melhor no Tumbling, à semelhança do que aconteceu nos Trampolins. Tudo isto, iria trazer muito mais gente para a modalidade.

Já viajaste por vários países, qual o teu favorito até agora?

N. F.    Na Europa, a Holanda. A nível mundial a África do Sul.

Se não fosses um "tumbler", qual o desporto que gostarias de ter seguido?

N. F.    Pergunta difícil..., mas algo também desgastante, de duração mais longa, género Triatlo.

Após terminares a carreira de Tumbling como ginasta, o que pensas fazer?

N. F.    Penso ficar ligado à modalidade, pois é uma paixão, mas agora como treinador. Não me fascina ser juiz ou ter um cargo organizativo. Estou a tirar o curso de desporto na Faculdade de Motricidade Humana, em Lisboa e gostaria como treinador dar o meu contributo ao Tumbling.

Um dia perfeito para ti?

N. F.    Acordar de manhã cedo, tomar um bom pequeno almoço, ter um treino leve pela manhã, almoçar e à tarde fazer umas séries fantásticas e ser finalista num Campeonato do Mundo.

Conta-nos algo que muita gente desconheça sobre ti?

N. F.    Em férias quando não estou a treinar, gosto de estar longe de tudo com uma tenda às costas e caminhar, explorar sítios e locais desconhecidos. Este espírito é muito bom.

Uma frase que diga algo sobre ti?

N. F.    Não desisto facilmente.

Conselhos para quem queira iniciar a carreira competitiva em Tumbling?

N. F.    Já estive no vosso lugar. Não percam a vontade de chegar mais longe. As pessoas não nascem ensinadas e não se começa pelo fim.