TUMBLING 

 

O site convidou o Presidente da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos (FPTDA), Filipe António Ferreira da Costa Carvalho, para uma entrevista ao qual se disponibilizou com bastante agrado, que em muito prestigia este meio informativo do Tumbling português. Actual presidente da FPTDA há já 9 anos, é também vice-presidente do Comité Técnico da Federação Internacional de Ginástica (FIG) e membro da Comissão Médica da FIG.

  Como classifica em moldes gerais o desenrolar das provas nacionais organizadas pela FPTDA, aspectos positivos e negativos?

Filipe Carvalho  Relativamente aos aspectos positivos, houve uma boa organização das provas, bom equipamento desportivo, boa localização, apoio logístico, horários de competição, condições de treino e aquecimentos, houve acima de tudo uma boa dinâmica de competição.

A pouca participação de atletas de Tumbling em prova, é o actual aspecto negativo.

  Provas organizadas pela FPTDA, revelam já um grande nível de organização e de espectáculo que deve ser inerente a estes eventos. Por sua vez as Associações Distritais, não conseguem ainda o mesmo nível, pois existem poucos juizes, material, etc... O que falta e o que vai ser desenvolvido a este nível?

Filipe Carvalho  Sem qualquer dúvida, um maior empenho das Associações para conseguirem reunir todos os "itens" essenciais, obtendo assim, bom sucesso nas provas que organizam e que são da sua responsabilidade. Não nos podemos esquecer que a organização de uma prova é a prestação de um serviço. As Associações devem optimizar os meios existentes, permitindo a acompanhantes, dirigentes e atletas uma boa competição, onde estes possam demonstrar o melhor que sabem fazer.

  Nos Campeonatos de Portugal (CP) em 2002, assistimos à junção das 4 modalidades, Trampolim, Tumbling, Acrobática e Duplo-mini Trampolim. Que parecer dá ao resultado?

Filipe Carvalho  O meu parecer é extremamente positivo, falando com praticantes, juizes, treinadores, estes, mostraram o seu agrado pelos moldes em que decorreu a prova. Esta poderá ser ainda mais condensada, apenas num fim-de-semana*. Certamente que o CP de 2003, vai manter a união das modalidades nesta competição.

* O CP de 2002 foi a 8, 9 e 10 de Junho aproveitando o feriado - Dia de Portugal, a uma segunda feira.

  No Tumbling português, o sexo feminino tem vindo a perder posições em provas internacionais. Como vê em termos futuros, as nossas jovens saltadoras, e deverá haver ou suscitar alguma preocupação especial?

Filipe Carvalho  Suscita preocupação. A resolução tem de passar pelos próprios clubes, têm de conseguir cativar mais jovens atletas, para as suas respectivas modalidades, nomeadamente o Tumbling feminino.

É paradoxal, pois verificamos nos outros países, um grande número de atletas nos escalões etários mais baixos, 11-12 anos, comparando com a realidade nacional, à partida, os escalões femininos têm já uma participação mínima. 

Temos de conseguir perceber o porquê desta diminuição, procurando a razão e fórmulas estratégicas, não nos júniores ou seniores, mas sim, em infantis e iniciados, de maneira a conseguirmos ultrapassar esta dificuldade.

  Nas provas, observando os resultados por clubes nos Campeonatos Nacionais e principalmente nos CP, existe uma certa esmonia do Lisboa Ginásio Clube (LGC) na liderança destes eventos. A selecção nacional para o Campeonato da Europa (CE) foi de 6 atletas onde apenas 1, não pertence ao LGC. Considera esta situação boa para o desenvolvimento do Tumbling português?

Filipe Carvalho  Não acho que seja muito importante, a FPTDA trabalha sempre para que o desenvolvimento das diferentes modalidades seja o mais harmonioso possível.

Na selecção nacional existe a preocupação, dentro do possível, de conseguir atletas dos diferentes distritos do país. No Tumbling, este facto não é causa/consequência, é uma constatação factual que não tem efeitos adversos para o futuro.

  Como decorreu o acompanhamento e preparação dos atletas para o CE pela FPTDA?

Filipe Carvalho  Tudo normal, embora na fase final da preparação para o CE, por motivos alheios à FPTDA, dois dias antes, tivemos conhecimento que o treinador Carlos Pais, não poderia estar presente quer no estágio em Portugal quer na competição em St. Petersburg. Assim, no momento achámos que não se encontravam reunidas as condições ideais para a realização do estágio em Portugal, posto isto, os atletas precederam à preparação nos seus próprios clubes.

  Qual a sua apreciação à prestação do júnior, João Castelo, da sénior, Ana Conde e dos membros da equipa sénior 5ª da Europa, nesta prova?

Filipe Carvalho  Relativamente ao João Castelo, aquém do que o atleta pode fazer, é um ginasta com bom potencial físico, com capacidades técnicas que lhe permitem ir mais longe.

A Ana Conde, cumpriu o programa que estava estabelecido com o treinador da Selecção, Duarte Baltazar.

Vou falar da equipa como um todo, pois esta portou-se brilhantemente, e foi extremamente importante a equipa ter-se portado como equipa. Estes atletas demonstraram um comportamento exemplar dentro e fora da competição a todos os níveis, e este facto, acabou por se reflectir na participação desportiva. Conseguiu uma qualificação para as finais, o que não se atingia desde 98, sendo este facto, demonstrativo da capacidade destes ginastas. Mais uma vez, saltando e competindo como uma equipa, conseguiram um resultado brilhante.

Individualmente todos estão de parabéns, obtendo boas participações, em especial para o Nuno Fernandes com um 16º lugar pleno de sucesso.

  Mais uma vez o Tumbling português, consegue colocar um atleta nas finais da Taça do Mundo 2001-2002, que decorreu em Hanôver no passado dia 23 de Novembro. Sendo o único representante entre Trampolins e Tumbling, obtendo um honroso 7º lugar, como analisa este facto?

Filipe Carvalho  Como uma boa aposta bem conseguida por parte da FPTDA, bem como do ginasta. Com todo o mérito para o Nuno Fernandes.

 

Veja a parte II deste entrevista

 

Esta entrevista foi realizada pelo Sérgio Morais no dia 5 de Dezembro, na FPTDA.

Tumbling.com.sapo.pt - 09 de Dezembro de 2002